Low Tech / High Tech
Ou O elogio dos livros Ou Decálogo bibliófilo É interessante olhar os livros sob um ponto de vista, digamos, «instrumental»; na óptica do hodierno «deve & haver», que se imiscui em todo o pensamento (ideológico) moderno. Isto quer dizer: olhar para os livros, superando a dicotomia (incontornável, parece) entre o pensamento tradicional, conservador (quer lhe chamemos humanista ou crítico da pós-modernidade) que tende a ver os livros enquanto objectos com um valor muito específico e como repositórios, por excelência, do saber (mais do que só da palavra escrita) e a avaliação «economicista» da quantidade de informação. E, é fácil constatar como há um equívoco de base: quando se fala de livros, não se pergunta (seria, quase, rude) qual o número de páginas, mas qual a «qualidade» do autor, do interesse do tema, enfim da «qualidade» da obra, mas, em contrapartida numa qualquer questão informática (num «produto» informático) parece estar sempre em causa uma «quantificação»; o debate tende a desenvolver-se à volta de uma avaliação meramente «performativa» do seu «objecto»: quantos megabytes, ou gigabytes? Qual a velocidade de processamento, etc, etc... Não. Olhemos os livros como objectos técnicos. Enfim, é aqui que entra o elogio da tecnologia low-tech dos livros. Então, vejamos: 1. Os livros são extremamente eficientes do ponto de vista da economia energética (não necessitam de fonte própria de energia para poderem funcionar). 2. A sua matéria-prima é iminentemente reciclável. 3. Não emitem radiação, nem contêm produtos tóxicos, pelo que são saudáveis, inclusive recomendáveis a crianças. Ou seja, os livros são ecológicos e não prejudiciais à saúde. 4. São produtos estáveis; não se avariam, não estão sujeitos a vírus, a ataques de hackers ou erro de programação. 5. São resistentes, podendo durar alguns séculos e, por vezes, até milénios, algo que o suporte informático, diga-se em abono da verdade, ainda não teve possibilidade de demonstrar. 6. O livro tem por base uma tecnologia estável. Não há o risco de se tornar inoperacional (o que seria uma forma de obsolescência) com o surgimento de outras tecnologias (como consultar, hoje, algo que esteja registado numa fita perfurada?). 7. É user friendly: basta saber ler. 8. O livro é, em geral, relativamente barato para o utilizador final; pelo menos no sentido em que este não tem de adquirir hardware específico e prévio à consulta dos conteúdos. 9. O livro leva ao extremo as capacidades da ideia de plug and play: depois de adquirido... basta abri-lo (e já está a funcionar). 10. Por último, tem largas vantagens nas possibilidades de personalização (sempre evitámos a palavra «costumização»): com outra tecnologia de apoio também com grandes vantagens no eixo eficiência, economia de meios, preço e facilidade de utilização - "o lápis" - podem-se acrescentar todo o tipo de informações ao produto de base - "o livro" - mediante anotações interlineares, laterais ou notas de rodapé. Demonstram-se, assim, as vantagens tecnológicas que o livro tem sobre os sistemas informáticos enquanto repositório de conhecimento e informação, embora se reconheça que o ideal seja, complementarmente (quiçá com carácter de excepcionalidade), usar ambos os media. ![]() |
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